O Instituto de Estudos Avançados da Unicamp (IdEA) realizou, no dia 5 de dezembro de 2025, o I Seminário IdEA dos Grupos de Estudos, evento que marcou a apresentação pública dos trabalhos desenvolvidos ao longo do ano por cinco grupos vinculados ao Instituto. Reunindo pesquisadoras e pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, o seminário consolidou o IdEA como espaço de pensamento crítico, diálogo transdisciplinar e articulação entre ciência, arte, humanidades e políticas públicas.
A mesa de abertura contou com a presença do reitor da Unicamp, Prof. Dr. Paulo Cesar Montagner, e do coordenador do IdEA, Prof. Dr. Marco Aurélio Cremasco. Em suas falas, ambos destacaram o papel estratégico do Instituto como ambiente dedicado ao pensamento livre, à experimentação intelectual e à convergência entre ensino, pesquisa e extensão. O reitor ressaltou a relevância do IdEA como embrião de iniciativas inovadoras dentro da Universidade, capaz de antecipar debates centrais para a sociedade contemporânea. Já Cremasco enfatizou a vocação democrática do Instituto e a importância dos Grupos de Estudos como núcleos permanentes de reflexão coletiva, capazes de gerar impacto acadêmico e social.
A abertura do seminário foi marcada também por uma apresentação artística do Quinteto Híbrido da Escola Livre de Música da Unicamp (ELM), reforçando a integração entre arte e pensamento que orienta as ações do IdEA.
Ao longo da programação, o seminário apresentou trabalhos em cinco eixos temáticos distintos, evidenciando a diversidade de abordagens e a amplitude das questões discutidas no âmbito dos Grupos de Estudos.
A primeira apresentação abordou o tema saúde mental e violência, refletindo sobre os desafios contemporâneos relacionados ao sofrimento psíquico, aos conflitos sociais e às transformações nas formas de convivência. O debate destacou a necessidade de abordagens interdisciplinares que articulem saúde, educação, políticas públicas e práticas institucionais, enfatizando a complexidade dos fenômenos e a urgência de respostas integradas.
Na sequência, o grupo “Estudos do Som e Processos Criativos” apresentou o trabalho Conrado Silva: a escuta da Música Nova, dedicado à trajetória e ao legado do compositor, educador e pesquisador Conrado Silva. A apresentação ressaltou a centralidade da escuta como prática estética, pedagógica e ética, explorando a atuação de Conrado Silva na música contemporânea, na acústica, na educação musical e na articulação entre arte, ciência e tecnologia. Como resultado da pesquisa, o grupo anunciou a produção de uma série de podcasts, propondo a narrativa sonora como forma legítima de produção e circulação de conhecimento acadêmico.
O terceiro eixo do seminário foi dedicado às doenças negligenciadas, tema de grande relevância social e científica. A apresentação discutiu os impactos dessas enfermidades sobre populações historicamente vulnerabilizadas, evidenciando a relação entre saúde, desigualdade social e políticas públicas. O grupo destacou a importância da pesquisa interdisciplinar e da divulgação científica como ferramentas para ampliar a visibilidade do tema e contribuir para a formulação de respostas mais efetivas no campo da saúde pública.
Em seguida, a mesa Filologia inter scientias, apresentada pela Profª. Drª. Isabella Tardin Cardoso, trouxe uma reflexão aprofundada sobre a filologia em diálogo com diferentes áreas do saber. A apresentação abordou a relação da filologia com a educação, a medicina, a psicanálise e os estudos de línguas e culturas indígenas, propondo uma compreensão ampliada do texto como fenômeno histórico, cultural e social. Ao discutir desde mitologia grega até narrativas indígenas e projetos de mediação de conflitos, a mesa evidenciou a filologia como campo vivo, capaz de se renovar e dialogar com os desafios do presente e do futuro.
Encerrando o ciclo de apresentações, o grupo “Escola e convivência democrática: participação, diversidade e políticas públicas” apresentou o trabalho Políticas públicas de convivência em redes de educação: fundamentos, desafios e transformações, com a Profª. Drª. Telma Vinha e o Prof. Dr. Cesar Nunes. A apresentação discutiu o enfrentamento da violência e dos conflitos nas escolas a partir de uma perspectiva sistêmica e de longo prazo, baseada na construção de uma cultura de convivência ética e democrática. O grupo apresentou o programa Entre Nós, iniciativa desenvolvida em parceria com redes municipais de ensino, que atua em escala, envolvendo centenas de escolas, e propõe intervenções progressivas, participativas e sustentáveis para a transformação das relações escolares.
Ao final do seminário, ficou evidente que o I Seminário IdEA dos Grupos de Estudos não apenas apresentou resultados de pesquisa, mas também consolidou um modo de produção de conhecimento baseado na escuta, no diálogo e na articulação entre diferentes saberes. Ao reunir temas como saúde mental, música contemporânea, doenças negligenciadas, filologia e políticas públicas em educação, o evento reafirmou o compromisso do IdEA com a reflexão crítica e com a contribuição efetiva da universidade para os grandes desafios da sociedade contemporânea.
A seguir, confira a programação na íntegra pelo YouTube.
